23-05-2005 - O prefeito de Grossos
(325 quilômetros de Natal), JOÃO DEHON NETO DA COSTA (PPS), o Dehon
Caenga, 37, foi morto anteontem, por volta das 20h, numa blitz da Polícia Civil
no município de Santa Maria (região metropolitana de Natal).
Segundo a assessoria da prefeitura, a picape Hilux prata onde o prefeito
viajava com o motorista e dois servidores não atendeu a uma ordem de parar, e
os policiais, que não estavam identificados, atiraram contra o veículo.
O secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Estado, Glauberto Bezerra,
confirmou a participação de seis policiais no episódio, que foram afastados
ontem. Ele também pediu a prisão temporária dos acusados, que deve ser julgada
nas próximas horas.
A prefeitura informou que a picape usada pelos policiais estava
descaracterizada e que o prefeito, suspeitando se tratar de um assalto, pediu
para o motorista Antônio Márcio acelerar. O trecho da estrada é próximo à área
urbana e perto de um posto de gasolina.
Não foram encontradas armas no veículo das vítimas, que não reagiram. O
prefeito e o motorista foram atingidos na cabeça e morreram na hora.
O tesoureiro Magno Monteiro foi ferido na nuca e precisou ser submetido a uma
cirurgia para retirada do projétil no hospital Clóvis Sarinho. Ontem, ele
continuava em estado grave na UTI, mas já havia recobrado a consciência.
O quarto ocupante da picape, o contador Francisco Canindé, levou um tiro no
braço.
O prefeito havia viajado para Natal anteontem para firmar um convênio para a
construção de 200 casas populares com o escritório de representação do
Ministério das Cidades na capital.
Os policiais estavam em uma operação para tentar prender uma quadrilha de roubo
de carros, investigada há meses. O objetivo era recuperar uma picape Mitsubishi
L200 que tinha sido roubada pelo grupo anteontem à tarde em Natal.
O delegado que coordenava a operação também foi afastado pelo secretário da
Segurança. Ele não estava no local no momento da abordagem, mas é considerado
responsável pela equipe.
O secretário nomeou três delegados, que irão apurar o caso. A investigação será
acompanhada pela Corregedoria Geral da Polícia, Ouvidoria, OAB (Ordem dos
Advogados do Brasil) e Ministério Público Estadual.
"Condenamos veementemente esse tipo de ação. A orientação e o treinamento
que os policiais recebem é totalmente diferente do que foi feito. É sempre para
que não atirar. Queremos prestar solidariedade ao sofrimento das famílias das
vítimas e reiterar as ações firmes para buscar solucionar [o crime]",
disse o secretário.
Segundo Bezerra, os policiais poderiam ter perseguido o veículo, em caso de
suspeita, ou esperado em um posto da Polícia Rodoviária para pedir reforço,
"nunca agir como agiram".
Para o promotor José Fontes de Andrade, da comarca de São Paulo do Potengi
(jurisdição do local do crime), o prefeito e os outros três ocupantes do
veículo foram vítimas de "execução sumária". "Os tiros foram
dados da cintura para cima, e os policiais sequer socorreram as vítimas. Isso
foi feito pelos PMs de Santa Maria."
Natural de Grossos, cidade com 8.743 habitantes (segundo estimativa do IBGE em
2004), João Dehon era casado e tinha dois filhos -de três e oito anos.
Professor de geografia, foi eleito para seu primeiro mandato eletivo no ano
passado, na segunda vez em que disputou a eleição municipal.
FONTE – TRIBUNA DO NORTE