sábado, 18 de julho de 2026

JOÃO DEHON NETO DA COSTA, PREFEITO DE GROSSOS-RN, É MORTO POR ENGANO

 


23-05-2005 - O prefeito de Grossos (325 quilômetros de Natal), JOÃO DEHON NETO DA COSTA (PPS), o Dehon Caenga, 37, foi morto anteontem, por volta das 20h, numa blitz da Polícia Civil no município de Santa Maria (região metropolitana de Natal).


Segundo a assessoria da prefeitura, a picape Hilux prata onde o prefeito viajava com o motorista e dois servidores não atendeu a uma ordem de parar, e os policiais, que não estavam identificados, atiraram contra o veículo.


O secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Estado, Glauberto Bezerra, confirmou a participação de seis policiais no episódio, que foram afastados ontem. Ele também pediu a prisão temporária dos acusados, que deve ser julgada nas próximas horas.


A prefeitura informou que a picape usada pelos policiais estava descaracterizada e que o prefeito, suspeitando se tratar de um assalto, pediu para o motorista Antônio Márcio acelerar. O trecho da estrada é próximo à área urbana e perto de um posto de gasolina.


Não foram encontradas armas no veículo das vítimas, que não reagiram. O prefeito e o motorista foram atingidos na cabeça e morreram na hora.


O tesoureiro Magno Monteiro foi ferido na nuca e precisou ser submetido a uma cirurgia para retirada do projétil no hospital Clóvis Sarinho. Ontem, ele continuava em estado grave na UTI, mas já havia recobrado a consciência.
O quarto ocupante da picape, o contador Francisco Canindé, levou um tiro no braço.
O prefeito havia viajado para Natal anteontem para firmar um convênio para a construção de 200 casas populares com o escritório de representação do Ministério das Cidades na capital.
Os policiais estavam em uma operação para tentar prender uma quadrilha de roubo de carros, investigada há meses. O objetivo era recuperar uma picape Mitsubishi L200 que tinha sido roubada pelo grupo anteontem à tarde em Natal.


O delegado que coordenava a operação também foi afastado pelo secretário da Segurança. Ele não estava no local no momento da abordagem, mas é considerado responsável pela equipe.


O secretário nomeou três delegados, que irão apurar o caso. A investigação será acompanhada pela Corregedoria Geral da Polícia, Ouvidoria, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e Ministério Público Estadual.


"Condenamos veementemente esse tipo de ação. A orientação e o treinamento que os policiais recebem é totalmente diferente do que foi feito. É sempre para que não atirar. Queremos prestar solidariedade ao sofrimento das famílias das vítimas e reiterar as ações firmes para buscar solucionar [o crime]", disse o secretário.


Segundo Bezerra, os policiais poderiam ter perseguido o veículo, em caso de suspeita, ou esperado em um posto da Polícia Rodoviária para pedir reforço, "nunca agir como agiram".


Para o promotor José Fontes de Andrade, da comarca de São Paulo do Potengi (jurisdição do local do crime), o prefeito e os outros três ocupantes do veículo foram vítimas de "execução sumária". "Os tiros foram dados da cintura para cima, e os policiais sequer socorreram as vítimas. Isso foi feito pelos PMs de Santa Maria."



Natural de Grossos, cidade com 8.743 habitantes (segundo estimativa do IBGE em 2004), João Dehon era casado e tinha dois filhos -de três e oito anos. Professor de geografia, foi eleito para seu primeiro mandato eletivo no ano passado, na segunda vez em que disputou a eleição municipal.

FONTE – TRIBUNA DO NORTE

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